Imagino que muitos brasileiros estejam animados: daqui alguns dias se inciará mais uma Copa do Mundo. Na época da Copa, essa paixão cresce, tomando até aqueles que não curtem muito o esporte. Você certamente conhece alguém assim: não tem um time nacional definido, mas não perde nenhum jogo da seleção.
Eu faço parte da minoria que não aprecia futebol em nenhum momento. Porém, tenho uma notícia interessante para as pessoas como eu, e para todos os cristãos. Nessa Copa do Mundo, poderemos ver em campo as seleções de três países perseguidos: Coreia do Norte, Argélia e Nigéria.
O primeiro jogo da nossa seleção será contra o país que ocupa o primeiro lugar no ranking mais triste de todos: a classificação dos países por perseguição. No dia 15 de junho, veremos nosssa seleção jogando contra a Coréa do Norte. Vamos poder torcer e comentar cada passe. O povo da Coreia do Norte não.
Por que não?
Kim Jong Il, presidente do país, decidiu que os jogos só passarão na TVestatal. E não serão transmitidos ao vivo. O máximo que poderão assistir será a replays dos melhores momentos da seleção da Coreia do Norte em jogos que eles tenham sido vencedores
A Copa deveria ser uma "festa da nações! e criar união interna dentro dos países. Competições esportivas internacionais têm dois impactos políticos que nenhum governo desconsidera.
O primeiro é que o país ganha visibilidade internacional. Por mais que uma nação seja problemática internamente, ela pode se destacar no esporte e cativar as pessoas. Nosso país é um exemplo ótimo: a visão que os estrangeiros têm de nós pode ser cheia de preconceitos, mas quando se fala do nosso futebol, tudo muda. Muitos deles declaram que seu próprio país não vencer, torcem pela nação pentacampeã.
O segundo impacto ocorre dentro do país.
O patriotismo cresce e se fortalece. E isso é um instrumento político muito forte: pessoas patriotas se dispõem a cuidar e lutar por suas nações. O patriotismo é essencial para haver coesão nacional. Sem ele, a pessoa pode não se dedicar à sua nação, ou mesmo não querer ficar lá.
Então, se os jogos da Copa fortalecem o patriotismo, porque Kim Jong Il não permitirá a transmissão deles? Existe uma maneira "alternativa" para manter o povo unido, além do patriotismo: a repressão. E esse tem sido o caminho trilhado pelo governo norte-coreano.
Juliana uzuhara_estudante de Relações Internacionais e
voluntária do underground no Rio de Janeiro.
www.undergound.org.br


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Geração Forte